Foto: UTAD consolida situação de equilibro orçamental e aposta na investigação
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​A depressão entre os adolescentes, assim como os fatores e consequências na sua saúde e qualidade de vida, foi objeto de um estudo realizado na Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), no âmbito do Mestrado em Enfermagem Comunitária.
A depressão é um problema de saúde pública da maior importância, de tal modo que as estatísticas internacionais levaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) a incluir a depressão nas principais causas de incapacidade no mundo e pelas repercussões negativas que representa nos contextos social, económico e na qualidade de vida. De um modo geral apresenta índices elevados de incidência em qualquer idade ou condição socioeconómica e em Portugal, estima-se que a incidência de sintomas depressivos seja na ordem das 100 mil pessoas, sendo mais comum no sexo feminino. De acordo com a OMS, a projeção para 2020, aponta a depressão como uma das doenças com maior prevalência na população em geral.
É de esclarecer, contudo, que, embora seja comum a utilização do termo depressão e sintomatologia depressiva como sinónimos, não têm o mesmo significado. A depressão decorre de um diagnóstico clínico, com critérios bem definidos e, normalmente, persiste durante certo tempo. Por outro lado, a sintomatologia depressiva é marcada geralmente pela resposta reativa a acontecimentos de vida adversos, que ocorrem por determinado período e não impedem a pessoa de ter uma vida normal. Os sintomas fisiológicos associados à sintomatologia depressiva incluem alterações do sono, alterações do apetite, perda de peso e as alterações comportamentais mais evidentes são o isolamento social, crises de choro e ansiedade.
Em Portugal, os dados existentes são escassos, tornando-se necessário um melhor conhecimento da dimensão desta problemática sobretudo na adolescência pelas particularidades desta fase desenvolvimental, aqui residindo o objetivo do estudo realizado pela aluna de mestrado Vanessa Marisa Gestosa Augusto sob orientação da docente Isabel Maria Antunes Rodrigues da Costa Barroso. Neste estudo, realizado com 575 adolescentes dos 10º, 11º e 12º anos de cinco agrupamentos de escolas da região interior norte de Portugal, com médias de idade de 16 anos, constatou-se uma maior percentagem de rapazes com sintomatologia depressiva, sendo menor nas raparigas o que poderá ser explicado pela mudança dos padrões de socialização influenciados pela utilização das redes sociais. Também se constatou que os alunos com valores de sintomatologia depressiva mais elevados apresentaram pior perceção da qualidade de vida (avaliada através do instrumento europeu Kidscreen 52) relacionada com a saúde e atividade física, sentimentos, humor, relações interpessoais, ambiente escolar e aprendizagem e Bullying.
Face aos resultados encontrados neste estudo está em curso a possibilidade de convergência de esforços que irão permitir às escolas, em articulação com diferentes setores da sociedade, implementar estratégias de intervenção sistematizadas e orientadas por objetivos mensuráveis que facilitem a obtenção de ganhos em saúde e uma melhor qualidade de vida.
NImp