Foto: Reitor da UTAD, na Abertura do Ano Académico
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A aula magna da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) foi pequena para acolher, no passado dia 8 de outubro, a vastíssima audiência, especialmente de alunos, que compareceu na cerimónia de abertura do Ano Académico, que teve como convidada de honra a escritora Lídia Jorge.
O reitor da UTAD, António Fontainhas Fernandes, abriu a sessão fazendo um balanço sobre as metas alçadas e perspetivando os tempos próximos da instituição no que respeita aos novos investimentos e melhoria das condições de docência e investigação, com elevado benefício para os alunos. Sobre os desafios e inquietações que a UTAD enfrenta, tal como a generalidade do ensino superior em Portugal, o reitor buscou, em oportunas metáforas, alguns paralelos com a obra de Lídia Jorge, em especial o seu último romance, Os Memoráveis.
“Transitar de ano em termos orçamentais continua a ser uma odisseia, exigindo que as instituições mantenham uma forte disciplina e rigor orçamental”, sublinhou Fontainhas Fernandes. Mas não só: “É preciso trilhar novos caminhos que garantam a sustentabilidade da instituição, baseados em novas ofertas de serviços especializados, de projetos inovadores e recursos não convencionais”, destacou o reitor da Academia, mostrando forte esperança na ligação estratégica com as três universidades do norte no seu enfoque regional, “promovendo a especialização inclusiva e inteligente e o desenvolvimento sustentável da grande região norte”.
Seguiu-se a intervenção do Presidente da Associação Académica, Pedro Romeu, voltada para as preocupações dos alunos, num tempo de inquietações também para eles e suas famílias.
Lídia Jorge fez uma conferência com o título “Proposta Antiga para Sempre”, toda ela marcada por um elogio persistente às ciências humanas, que considera muito subestimadas no ensino universitário e subalternizadas em relação às chamadas “ciências duras”. “A ausência do incentivo à leitura no ensino superior e a quase expulsão das literaturas das universidades andam ligadas a um decréscimo da formação integral da maior parte dos jovens universitários de hoje”, sintetizou a escritora.
As cerimónias de abertura do Ano Académico encerraram com a inauguração da exposição de desenhos de Abel Salazar na galeria da Biblioteca Central. Esta exposição, composta por cerca de meia centena de inéditos do conhecido médico e investigador, estará patente durante o mês de Outubro.