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É considerada a casta tinta “embaixadora de Portugal”, devido à capacidade de adaptação às alterações climáticas, à internacionalização, ao elevado potencial qualitativo e ao bom nível de produtividade. A Touriga Nacional foi, por isso, o tema escolhido para um seminário-debate promovido pela Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID) e pelo CITAB, que decorreu no passado dia 4 na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

“Está comprovado que a Touriga Nacional é uma casta com elevada eficiência intrínseca do uso da água. Esta resistência associada ao seu potencial qualitativo e à boa produtividade permite-nos afirmar que facilmente se irá adaptar às alterações climáticas previstas”, assegura a investigadora do CITAB, Ana Alexandra Oliveira.
Ana Alexandra Oliveira desenvolveu a tese de doutoramento no comportamento qualitativo/produtivo da Touriga Nacional na região Demarcada do Douro. Hoje, apresenta resultados dessa investigação, assim como de vários estudos complementares posteriores, desenvolvidos com outros investigadores do CITAB e da UTAD, como Nuno Magalhães, que identificam os melhores locais para a Touriga Nacional e as melhores estratégias culturais.
“A instalação da Touriga Nacional no Douro deve ocorrer preferencialmente na exposição sul e a baixas altitudes (200 a 300 m). Numa exposição norte, corre-se o risco da maturação ser insuficiente, dada a particularidade desta casta de atingir a maturação dos compostos fenólicos (antocianinas) muito tarde. Nas exposições sudoeste-poente corre-se o risco de desfolhas precoces e escaldão,” adianta.
“Uma embaixadora de Portugal”
“A Touriga Nacional tem um potencial enológico muito grande, quer em compostos aromáticos, quer em compostos fenólicos. É considerada a casta tinta embaixadora de Portugal. Não é por acaso que tem tido tanta aceitação a nível internacional”, declara a investigadora do CITAB.
Austrália, Argentina, África do Sul, França e Espanha, são apenas alguns exemplos de países líderes na produção de vinho, que incluem a Touriga Nacional nos vinhos que desenvolvem.
Por cá, a investigadora deixa um convite para uma análise aos rótulos das garrafas de vinho: “Em Portugal, a Touriga Nacional é utilizada na produção de vinhos do Porto e DOC e é raro o vinho que não a inclui na sua composição.”
ADVID coorganiza quarto seminário sobre castas
“Após os seminários sobre Tinta Roriz (2011), Touriga Franca (2012) e Castas Brancas (2013), em 2014, considerámos de interesse geral a realização de um seminário sobre a casta Touriga Nacional, a casta embaixadora de Portugal, no âmbito do trabalho desenvolvido pelo Cluster dos Vinhos da Região do Douro,” corrobora o presidente da ADVID, José Manso.
O responsável destaca também o caráter internacional da casta que justifica com o “excelente trabalho desenvolvido por inúmeras entidades públicas e privadas”, mas salienta que, precisamente por essa razão, “obriga a uma maior exigência na continuação do estudo e troca de experiências sobre a casta, que tem de juntar, necessariamente, empresários, associações, técnicos, investigadores e, naturalmente, os futuros especialistas da área”.
O seminário contou com intervenções de especialistas, técnicos e empresários do setor vitícola e incluiu uma prova comentada de vinhos monovarietais de Touriga Nacional.
Contextualização Histórica:
Nuno Magalhães, investigador da UTAD em viticultura, afirma que as referências escritas ao cultivo da Touriga Nacional “advêm do século XVIII, nomeadamente o seu contributo para a elaboração de Vinhos do Porto de superior qualidade”. No entanto, apesar do “declínio progressivo da sua enxertia durante o século XX, devido à sua baixa produtividade derivada da grande sensibilidade da casta ao ‘desavinho’ e à ‘bagoinha’, foi classificada pelo Método de Pontuação para Vinhos do Porto como excelente”.
O especialista afirma que, também Gastão Taborda, Diretor do Centro de Estudos Vitivinícolas do Douro, pelos estudos de vinificações elementares de castas “considerou a casta de maior potencial qualitativo entre as restantes analisadas”. Opinião confirmada posteriormente pelas investigações enológicas conduzidas por José António Rosas e João Nicolau de Almeida nas três sub-regiões do Douro.
“Nos finais da década de 1970, quando do início da seleção clonal de castas em Portugal, constatou-se que esta casta estava em vias de extinção”. Foi então dada prioridade ao seu estudo no “sentido da sua recuperação para a vitivinicultura nacional, não apenas pela seleção de clones mais produtivos e menos sensíveis àqueles fenómenos, mas também por muitos outros trabalhos sobre a sua adaptação aos ‘Terroirs’ e sistemas de condução, em sentido lato” sublinha o investigador.
Estes estudos conduziram à “recuperação da casta não só na Região Demarcada do Douro, mas também à sua expansão para todas as regiões vitícolas nacionais e internacionais” conclui Nuno Magalhães.
Cartaz (VER)
NImp