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Cumprindo um ciclo de conferências no país dedicado à educação, a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), realizou na UTAD, no dia 12 de novembro, uma conferência sobre o “Acesso ao Ensino Superior”.
Destacando as questões do acesso e da participação dos jovens no Ensino Superior, a Conferência contou com duas oradoras convidadas, Claire Callender do Birkbeck College e Instituto de Educação da Universidade de Londres; e Carla Sá da Universidade do Minho. Intervieram ainda Carlos Fiolhais da Universidade de Coimbra e Artur Cristóvão vice-reitor da UTAD. O debate, muito participado, foi moderado pela Provedora do Estudante da UTAD, Maria Conceição Azevedo.
As oradoras convidadas partiram de perspetivas de análise diferentes, embora com pontos de convergência. Claire Callender centrou-se na experiência do Reino Unido e analisou fatores que influenciam o acesso e a participação, entre os quais, as políticas educativas do governo, as políticas das universidades e variáveis com a demografia, a classe social, as atitudes face aos estudos superiores, o mercado de trabalho e os custos de participação.
Claire Callender sublinhou igualmente que, mais participação, não significa necessariamente mais igualdade de acesso. E dando o exemplo do seu país, referiu que os estudantes de famílias pobres têm menor probabilidade de seguir estudos superiores e ainda que o número de estudantes de famílias com mais poder económico tem vindo a crescer. Acrescentou, também que, no Reino Unido, o acesso é muito desigual, sobretudo devido aos fracos resultados do ensino secundário.
Clara Sá analisou o caso português, assinalando aspetos como a tendência de  decréscimo da procura a partir de meados dos anos 90, e a clara diminuição da procura de formações superiores cuja admissão é dependente da disciplina de Matemática. Quanto aos fatores de escolha da instituição de Ensino Superior, a acessibilidade, o desempenho anterior (jovens com melhor desempenho tendem a escolher uma universidade), o rendimento familiar (jovens de famílias com mais poder económico tendem também a escolher uma universidade) e os custos a suportar pela família, são determinantes.
Por outro lado, Clara Sá referiu ainda que o destino principal dos estudantes é, no geral, uma instituição do seu próprio distrito, havendo resistência a uma mobilidade mais alargada, sobretudo por falta de apoios financeiros.
O debate centrou-se em questões como a importância da reputação das instituições, o abandono escolar, que foi objeto de estudo recente na UTAD, as diferenças de género na mobilidade, a reestruturação da rede de ensino superior e as vantagens e desvantagens no numerus clausus.