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A Ministra da Agricultura afirmou no passado dia 5 de dezembro, na UTAD, que Portugal tem como objetivo a exportação de mais de dois milhões de euros em frutas, legumes e flores, até 2020.
“Estamos a exportar mais de mil milhões de euros em frutas, legumes e flores e em 2020 ambicionamos exportar dois mil milhões de euros. Isso é uma meta extraordinariamente interessante e ambiciosa”, apontou Assunção Cristas.
Assunção Cristas quer que Portugal seja reconhecido como a “joalharia da agricultura”, pela qualidade de produtos como a fruta, os legumes, as flores, bem como o azeite e o vinho.
A governante, que participou no 3º Simpósio Nacional de Fruticultura (3º SNF), disse ter ficado “sem fala e sem respiração” com o programa do evento, que mostra como a instituição e o setor estão a caminhar tão rapidamente em termos produtivos, de inovação e de investigação.
Para a organizadora do evento, Ana Paula Silva, “a fruticultura portuguesa só pode ir por um caminho: o da qualidade e de um produto diferenciado, pois nós não temos dimensão para competir com países com grande extensão e produção.”
A distinção da fruta nacional pelas suas qualidades sensoriais como a cor, sabor e textura e pela garantia de oferta de um produto seguro para a saúde do consumidor.
“A diversidade de clima, solos e topografia permite a produção de frutos com características únicas e claramente diferenciadoras. Destaca-se o valor qualitativo intrínseco traduzido em forte intensidade de cor, sabor e textura crocante, variáveis procuradas pelo consumidor”, explica Ana Paula Silva.
A também investigadora do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) apela, no entanto, a uma maior aposta na investigação, na tecnologia e na organização do setor.
“Necessitamos de uma estrutura produtiva mais eficiente, apoiada em novas tecnologias que garantam uma produção sustentável e rentável. O equilíbrio dos ecossistemas e a produção segura de alimentos, enaltecendo os seus efeitos benéficos na saúde, são também condições fundamentais para criar uma nova dinâmica em toda fileira”, defende.
Desta forma, segundo a responsável, podem ultrapassar-se uma série de condicionalismos do setor como “as baixas produtividades registadas, os estudos incipientes sobre o comportamento de variedades nacionais, a falta de organização da fileira e as dificuldades de venda e escoamento”.
Além da governante, o 3º SNF recebeu outros dirigentes políticos, como o Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar, Nuno Brito, e o Eurodeputado José Manuel Fernandes.
Sobre o contexto europeu, o responsável salientou que “o setor das frutas e produtos hortícolas tem um volume de negócios superior a 120 mil milhões de euros, empregando aproximadamente 550 mil pessoas”, sendo, por isso, “importante para a economia das regiões da União Europeia com tendência para uma taxa de desemprego elevada”.
O evento juntou mais de 200 produtores, técnicos e investigadores que apresentaram cerca de 100 estudos científicos, com abordagens inovadoras. “Como pode o design acrescentar valor à fruticultura?” e “Fruta – a verdadeira fast food” são dois exemplos de comunicações apresentadas.
O 3º SNF foi organizado pela UTAD, CITAB, Associação Portuguesa de Horticultura e Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional.