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Margarida Teixeira e Pedro Pauleta
 
Considerado embaixador do turismo dos Açores, Pedro Pauleta é um dos jogadores de futebol portugueses mais conhecidos internacionalmente. Tentar perceber como o atleta se tornou um jogador de referência foi um dos objetivos.
Margarida Teixeira, aluna de Mestrado em Ciências de Desporto na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), apresentou a ideia a Pedro Pauleta, que se “mostrou muito agradado e recetivo para colaborar” neste estudo orientado pelo docente investigador da UTAD Paulo Vicente João.
Pedro Pauleta marcou 408 golos durante a sua carreira. Orgulhoso das suas origens “festejava sempre os seus golos de braços abertos como um açor em pleno voo. E assim as ilhas dos açores eram evocadas nas televisões de todo o mundo através do seu gesto. O orgulho do atleta pelas suas origens, e a sua contribuição à Região é reconhecida e respeitada por todos os Açorianos”, afirma a autora do estudo.
Nas conclusões deste trabalho, onde foram inquiridas 26 pessoas, incluindo o próprio atleta, ressalta o seu “talento inato”, considerado neste estudo essencial para chegar ao top dos jogadores de futebol, aliado a fatores como o “rigor, disciplina, trabalho, humildade, persistência, perseverança, responsabilidade e equilíbrio emocional”.
“A paixão pela modalidade era tal, que Pedro Pauleta não se contentava apenas com os treinos calendarizados, e planeava com os amigos horas antes dos mesmos ou até nos dias em que estes não aconteciam, jogos para aprimorar a sua finalização”, característica principal deste jogador, sublinha a autora do estudo.
Margarida Teixeira acrescenta que “apenas um atleta de excelência com o talento de Pedro Pauleta, conseguiria atingir o topo da elite do futebol mundial, mesmo sem acesso, durante a sua formação, às melhores condições de trabalho que apenas os maiores clubes nacionais e internacionais conseguem disponibilizar às suas camadas jovens”.
A combinação de todos estes fatores de formação, segundo a autora do estudo, fizeram de Pedro Pauleta um “exímio finalizador, tanto com a cabeça como com os pés, e um talento enorme, bem patentes em toda a sua movimentação, que lhe permitiu ganhar oportunidades para a execução de remates bem-sucedidos”, tornando-o num jogador de referência.
Outra das conclusões deste trabalho é o papel que o atleta tem na formação dos jovens praticantes de futebol açorianos, sendo considerado pelos mais novos como um “modelo a seguir”.
Aqui é também referido o orgulho que o atleta tem pelas suas origens, às quais regressou após o término da sua carreira, assim como a preocupação com o futuro de jovens atletas, traduzida na Escola de Futebol Pauleta em conjunto com a Fundação Pauleta, que evidencia “a estreita ligação e preocupação não apenas com o seu povo conterrâneo, mas também pelo próximo, exibindo as suas maiores qualidades, algumas demonstradas dentro das quatro linhas, como a humildade, o amor às suas origens e a presença constante das dificuldades que observou enquanto crescia”.
Os objetivos, pelos quais lutou e concretizou dentro e fora de campo, tornaram-no num “ícone e herói para muitos”. Espelho disso é o “reconhecimento e respeito” que goza por parte dos que o conhecem e o admiram”, uma grande parte dos quais habitam e valorizam a mesma Região, conclui Margarida Teixeira.