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 Popularizada com a designação de “TAC”, e tradicionalmente usada como ferramenta no exame clínico para identificar doenças no corpo humano e em animais de companhia, a Tomografia Computorizada (TC) está agora a ser usada na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) também com a finalidade de avaliar quer in vivo quer post-mortem a composição da carcaça e a qualidade da carne de animais de interesse pecuário, em especial suínos e ovinos.
No seu Hospital Veterinário, a UTAD instalou um equipamento de TC e desde logo foi compreendido que, para além da sua função principal no campo da medicina veterinária, a sua utilização podia ser potenciada para trabalhos relacionados com a composição da carcaça e da qualidade da carne dos animais.
Esta Universidade passou, entretanto, a integrar uma rede internacional, com 11 instituições europeias, que utilizam TC como ferramenta de eleição para a avaliação da qualidade da carcaça e da carne, com o objetivo de criar um sistema de valorização diferenciada dos produtos cárneos, acrescentando valor à respetiva produção.
Segundo um dos investigadores da UTAD, Severiano Silva, docente do Departamento de Zootecnia, “a carne produzida pelas raças autóctones é um bom exemplo de um produto que poderá beneficiar com um sistema destes”. Por outro lado, assegura também, “com a rede de conhecimento entretanto formada com investigadores de vários países da EU e também do Brasil e da Nova Zelândia, o equipamento de TC da UTAD permitirá contribuir para a investigação em vários domínios da ciência animal em que é necessário conhecer a composição corporal ou da carcaça de espécies de produção através do que se designa por dissecação virtual”.
De assinalar também que esta abordagem contorna os enormes inconvenientes dos métodos tradicionais de dissecação que são destrutivos, muito laboriosos e dispendiosos. Reconhecem os investigadores da UTAD ligados ao projeto (Severiano Silva, Isabel Dias e Mário Ginja), que esta área do conhecimento “é entusiasmante pelo alcance que poderá ter no conhecimento da composição dos animais vivos, das carcaças e da qualidade da carne e pelo facto de existir a possibilidade de um acesso permanente às imagens de TC o que possibilita novas abordagens em trabalho futuro”. Outro campo em que se esperam significativos desenvolvimentos será, segundo os mesmos investigadores, “o associado à otimização do corte de carcaças com base em informação 3D resultante da análise de imagens de TC, uma vez que este tipo de trabalho permitirá obter informação em tempo real sobre os planos de corte das carcaças tornando o processo muito flexível e ajustado a alterações de preferência do mercado”.