[Imprimir]
Foto: Direitos Reservados
 
A dislexia afeta atualmente uma em cada 20 crianças em idade escolar e pode ser uma síndrome para toda a vida, contudo o diagnóstico atempado e o acompanhamento especializado reduzem os seus impactos negativos na vida dos cidadãos. Procurando respostas para combater esta síndrome e soluções para a redução dos seus impactos, a Universidade de Trás-os-Montes (UTAD), com a sua Unidade de Dislexia, tem vindo a aprofundar estudos científicos dirigidos pela psicóloga Ana Paula Vale, docente e investigadora da instituição.
O mais recente estudo, no âmbito de um projeto designado “LínguaLer” cuja finalidade é promover o sucesso escolar para todos com base no desenvolvimento da linguagem, foi lançado no concelho de Santa Marta de Penaguião, mediante um protocolo realizado entre a UTAD e a respetiva Câmara Municipal. O Projeto “LínguaLer” visa detetar as crianças em risco de ter défice de desenvolvimento da linguagem e dislexia desde o pré-escolar e procurar respostas científicas para o seu combate. Nesse sentido, foi já realizado no concelho um rastreio de todas as crianças, até ao 4º ano de escolaridade.
Segundo Ana Paula Vale, a dislexia é um problema que os especialistas podem detetar e avaliar relativamente cedo, calculando o risco mesmo antes de a criança começar a ler e a escrever, e é imperioso que o façam, porquanto, sendo crianças com inteligência normal que aprendem matemática e outras matérias escolares, muitas vezes os seus problemas com a dislexia estão mascarados e estas crianças vão ficando para trás sem se perceber muito bem porquê. Não tendo bons desempenhos escolares e acabam, muitas delas, por desistir precocemente do ensino, percebe-se mais tarde que estes indivíduos são também aqueles que têm trabalhos menos qualificados na sociedade. Viver com dislexia não se trata, afinal, apenas de ter uma dificuldade de aprendizagem da leitura, mas de um problema que arrasta consigo uma quantidade de dificuldades que têm um impacto negativo em todas as aprendizagens e nas relações sociais.
A dislexia leva a que os indivíduos sejam mais lentos na leitura, deem muitos erros ortográficos e não gostem de escrever, o que envolve imensas limitações em todos os domínios, implicando uma qualidade muito reduzida nas aprendizagens. Ao ler, quando esbarram com padrões ortográficos mais complexos, acabam por ter problemas de compreensão do que está escrito, tanto mais que as complexidades ortográficas da nossa língua são particularmente difíceis de trabalhar pelos indivíduos com dislexia.
Na Unidade de Dislexia da UTAD está, igualmente, a desenvolver-se um projeto de investigação para perceber quais são exatamente estas dificuldades, em que tipos de padrões ortográficos específicos ocorrem e porquê. Refira-se que a UTAD é a única universidade portuguesa com uma Unidade de Dislexia, recebendo crianças provenientes de praticamente todo o país para fazer o diagnóstico e tratamento.
Para mais informações contactar:
Rosa Rebelo | Assessoria de Comunicação | UTAD
259 350 160 | 932 148 809 | rorebelo@utad.pt