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Miguel Real, um dos mais consagrados escritores e ensaístas contemporâneos, esteve na UTAD, no dia 25 de novembro, para falar da Luz nas origens na literatura, numa conferência integrada nas celebrações do Ano Internacional da Luz. Promovida pelo Grupo de Missão para a Cultura, sob o título “Luz e Literatura: a primeira narrativa”, esta conferência revelou-se um exercício surpreendente na busca das origens do Homem e dos seus primeiros impulsos criativos e estéticos. 
 
A relação do homem primitivo com o mundo, fundada e mediada pela emoção, mas sobretudo a noção de que a consciência emotiva é uma consciência emergente em estado puro (uma “consciência animal”), colocam a espécie humana, segundo Miguel Real, sob a inquietação de quatro “fontes do mal”: a carência, a dor física, a dor psíquica e a morte. E é quando essa inquietação não existe que nasce a emoção do sorriso e da alegria, mas sempre na contingência de que tudo é precário, ou seja, “tudo o que há, pode deixar de haver”. Ao deslumbramento do dia sucede a angústia da escuridão, uma escuridão que é também potenciadora de todos os medos. Porém, a sublimar essa inquietação do medo, aparece a lua. Terá dito então o homem primitivo, o “Homo erectus”, na sua própria linguagem: “A lua é-nos afeiçoada, é nossa amiga, ela aparece para iluminar-nos”. Aqui residiu, segundo Miguel Real, a primeira narrativa.