Foto: Catarina Pinheiro Mota
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A relação romântica e os conflitos no namoro em jovens adultos está a ser alvo de investigação na área da Psicologia Clínica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, visando conhecer as origens e procurar mecanismos de prevenção. Coordenado pela psicóloga clínica Catarina Pinheiro Mota, docente do Departamento de Educação e Psicologia da UTAD, um estudo já realizado teve como objetivo analisar a qualidade de vinculação aos pais e o seu efeito na vinculação amorosa em jovens adultos. Pretendeu-se ainda perceber o papel dos conflitos interparentais no desenvolvimento dos conflitos no namoro.
 
A amostra foi constituída por 505 jovens da zona Norte de Portugal, 139 (27,5 %) do sexo masculino e 366 (72,5%) do sexo feminino com idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos de idade, e com habilitações entre o 9º ano (3º ciclo) e o ensino superior (mestrado). Os resultados apontam para um efeito preditor positivo da qualidade de laço emocional aos pais face à qualidade de vinculação ao par amoroso (mais confiança e menos evitamento e ambivalência nas relações). Observa-se, ainda, que os conflitos interparentais exercem um efeito negativo na associação entre a vinculação aos pais e a vinculação amorosa dos jovens. Os resultados sugerem ainda que os conflitos no namoro se apresentam em tipologias distintas:
1 – Enquanto “Estratégias de Resolução não Abusivas”, desenvolvidas por jovens mais velhos (22-25 anos) e em especial pelas raparigas, parecem ser preditas quando existem baixos níveis de sintomatologia depressiva, ansiedade e sensibilidade interpessoal e maior confiança e menos ambivalência na relação de namoro, relacionando-se com menor intensidade e maior resolução dos conflitos interparentais.
2 – Enquanto “Estratégias de Resolução Abusivas” e de “Comportamentos Violentos”, desenvolvidas sem diferenciação de idades e na sua maioria por rapazes, ao contrário da anterior, sugerem ser preditas quando se verificam níveis significativos de sintomatologia depressiva, ansiedade e sensibilidade interpessoal, bem como a ambivalência e menos confiança na relação com o namorado. São preditos pela maior intensidade e frequência dos conflitos interparentais.
Segundo Catarina Pinheiro Mota, “a qualidade das relações desenvolvidas precocemente com os pais mostra-se de extrema relevância no desenvolvimento emocional dos jovens, daí que bases seguras sugiram maior disponibilidade por parte dos jovens para o estabelecimento de relações fora do seio familiar, o que se torna particularmente importante nas relações futuras com o par amoroso”.
Todavia, observa a responsável do estudo, “em muitas situações verificam-se vivências afetivas inseguras no seio familiar, onde os conflitos interparentais são frequentes, com um nível significativo de intensidade e baixa capacidade de resolução”. Quanto isto sucede, sustenta ainda a investigadora, “é frequente encontrar jovens com dificuldades no estabelecimento e manutenção de relações, assim como dificuldades na resolução de conflitos, conduzindo em muitos casos ao desenvolvimento de sintomatologia psicopatológica. Uma conclusão importante passa pela sensibilização de que a educação para os afetos é fundamental.”
Para mais informações contactar:
Rosa Rebelo | Assessoria de Comunicação | UTAD
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