Foto: Praça Amaro da Costa
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A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) está a desenvolver um projeto de reabilitação urbanística da Praça Adelino Amaro da Costa, em Vila Real, com o envolvimento direto dos moradores de toda a zona envolvente. Este projeto, coordenado por Frederico Meireles, docente e investigador do Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista da UTAD, em articulação com a Câmara Municipal, visa responder à Operação de Reabilitação Urbana, que prevê na cidade várias áreas e níveis de intervenção, como sejam a reabilitação do edificado, qualificação das estruturas, dos equipamento e dos espaços verdes e urbanos de utilização coletiva.
 
O trabalho teve início com os estudantes do curso de arquitetura paisagista a acompanharem a rotina dos moradores do Bairro da Araucária, inquirindo-os e observando as suas atividades e os seus tempos livres. Foram observados 438 indivíduos ao longo do mês de outubro. Cerca de dois terços das pessoas observadas manifestaram algum tipo de interação social, sendo que a utilização ativa representa dois terços enquanto a utilização sedentária representa um terço. Cerca de 60% das pessoas foi observada a caminhar, mas o comportamento mais frequente é conversar, observado em cerca de 40% das pessoas. O padrão de ocupação revela uma utilização mais intensa na zona do café e no acesso à escola que se faz atravessando a praça. O estudo inclui entrevistas a 60 pessoas, realizadas aleatoriamente durante o mesmo mês e distribuídas pelos vários horários do dia. Os entrevistados são habitantes do bairro de todas as classes etárias, a maioria adultos, sendo que cerca de 85% frequentam a praça todos os dias e dois terços habita nos edifícios que confrontam com ela.
Apurou-se também que as principais razões para visitar a praça são a proximidade à residência, a passagem, o convívio e o comércio. O recreio foi mencionado apenas em 5% dos casos e as pessoas preferem este espaço porque ele tem presença verde, tem algum comércio de proximidade e possibilita o convívio. Por outro lado, 12,5% não gostam da praça, os inquiridos sugeriram a criação de um parque infantil e requalificação geral do espaço, a criação de mais zonas de estadia e a diversificação do comércio como aspetos a integrar numa intervenção.
Entretanto, a UTAD implementou um grupo de discussão que teve lugar no atelier do projeto, contando com a participação da população residente, dos grupos interessados e dos utilizadores do bairro. Aí, os participantes ficaram a conhecer os resultados do inquérito e das observações de comportamento, bem como as propostas de programa desenvolvidas para o projeto da praça, contribuindo com sugestões, críticas e comentários.
Segundo o arquiteto coordenador do projeto, a UTAD procura, deste modo, que o futuro da praça Amaro da Costa responda às necessidades e preferências da população, cuja participação ativa pode e deve acontecer ao longo das várias fases do processo. Para já, adianta Frederico Meireles, “o programa selecionado foi zonado e prevê o alargamento da área de intervenção, a criação de uma zona de recreio livre multifuncional, uma zona de jogo e recreio que promova a interação dos grupos etários de crianças e idosos, vários pontos de estadia incluindo uma área de esplanada, um percurso mais confortável, acessível e de maior presença verde e espaços vocacionados para o recreio dos adolescentes”.
No final do processo, que se prevê aconteça durante o primeiro trimestre de 2016, será realizada uma exposição pública dos melhores projetos que ficará novamente sujeita ao escrutínio da população.
Para mais informações contactar:
Rosa Rebelo | Assessoria de Comunicação | UTAD
259 350 160 | 932 148 809 | rorebelo@utad.pt