Foto: Florbela Oliveira
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Florbela Oliveira: “Em todo o percurso académico, reconheci valor humano e técnico em todos os docentes do meu curso. Com alguns, identifiquei-me e encontrei inspiração para a minha vida”.
É economista, formada pela UTAD, percurso que a marcou pessoal e profissionalmente, empresária e comentadora SIC na área da recuperação financeira. O gosto pelas finanças vem de tenra idade quando aos 13 anos começou a gerir a mesada. Na empresa que fundou ajuda os portugueses a encontrar soluções para os problemas que a crise gerou. Recebe milhares de pedidos de ajuda, um trabalho duro que lhe deixa pouco tempo para a vida pessoal e familiar, mas responde a todos, firme na convicção de que todos os casos têm solução.
Gostávamos de a conhecer melhor. Fale-nos um pouco de si.
 
Sou economista com especialização na área da recuperação financeira. Iniciei a minha atividade profissional na área bancária, tendo sido fundamentais as competências técnicas adquiridas na formação académica, essencialmente pela forte componente de análise de risco financeiro.
Aos 13 anos recebi a minha primeira mesada. A quantia era pouca e por isso era necessário aprender a geri-la de forma a pagar os lanches na escola e durar até ao final do mês. Foi a minha primeira experiência a administrar finanças pessoais. E talvez tenha nascido aqui também a decisão de escolher o curso de Economia. Sou licenciada em Economia pela UTAD, fui desde o primeiro ano trabalhadora-estudante, tendo trabalhado em várias instituições bancárias. Suei as “estopinhas” pois em nada belisquei o curso pelo facto de ter decidido trabalhar em simultâneo.  Mas concretizei todos os meus objectivos. Hoje, dedico-me de corpo e alma, aconselhar famílias sobreendividadas, e olho para trás e não tenho dúvidas que o meu percurso foi construído com esforço e dedicação até aqui.
Após a licenciatura, trabalhei na banca, passando por várias entidades bancárias como o BBVA, o BES e MONTEPIO GERAL. Depressa percebi que não era opção continuar do lado do credor. E durante cinco anos, dediquei-me incansavelmente à recuperação de empresas. É com orgulho que verifico hoje que, muitas delas que salvei da insolvência, encontram-se ainda no ativo.
Em 2008, 2009, com a crise financeira a abalar as famílias, mudei uma vez mais de posição e juntei-me as famílias em risco. Através da PlanoViável – empresa que fundei, de recuperação financeira, económica e social – já tive a oportunidade de apoiar largas dezenas de pessoas e famílias. Em 2015, participei em mais de 500 processos.
Através das soluções extra judiciais e judiciais, nomeadamente do PARI, PERSI, Plano Especial de Revitalização, negociei com afinco, as dívidas dos portugueses junto das entidades bancárias. Na lei estão reconhecidas soluções que permitem alongar pagamentos, eliminar juros ou até mesmo perdão da dívida, em benefício dos mais desfavoráveis. Para tal, tem sido importante a experiência adquirida na banca. Mas vale-me sobretudo a firme convicção de que, por mais difícil que seja o caso, tem solução. E eu não desisto enquanto não a encontro.
É atualmente comentadora na SIC onde faz aconselhamento na área financeira e tem ajudado muitos daqueles que sofrem “na pele” o impacto da crise. Como surgiu esta rúbrica e qual o balanço desta na sua vida pessoal e profissional?
A rubrica surgiu através de um convite. Estar todas as semanas, em direto, no Queridas Manhãs, da SIC, tem um impacto muito grande no dia-a-dia. A nível pessoal, significa despender tempo para preparar programas, com tudo o que isso implica. Muitas das vezes, os programas incluem explicações e esclarecimentos sobre questões financeiras. Outras vezes, significa ajudar e solucionar casos reais. E quando se tratam de casos reais, nunca existe previsões para o tempo despendido. Sempre que resolvo um caso, sinto uma enorme satisfação. Por outro lado, estar todas as semanas na SIC significa ter que me ausentar do Porto de madrugada para estar em direto em Lisboa, abdicando de horas de sono e, o mais importante, de horas com o meu filho. A nível profissional, esta presença regular trouxe-me uma exposição muito grande, que nem sempre é fácil gerir. Todos os dias caem mensagens na minha página de facebook a pedir ajuda. E eu faço questão de responder a todas elas. Não é fácil. Mas julgo que faz parte da exposição pública: as pessoas estão a contar comigo.
Licenciou-se em Economia na UTAD. Fale-nos um pouco do seu percurso académico.
Em todo o percurso académico, reconheci valor humano e técnico em todos os docentes do meu curso. Com alguns, identifiquei-me e encontrei inspiração para a minha vida. Fui muito feliz, em cada ano do curso, tendo vivido em pleno a vida de estudante. Esforcei-me por ter um aproveitamento escolar distinto, contudo não privei o convívio e o lazer, tendo sido muito equilibrado o meu crescimento dentro da universidade.
Que peso atribui ao impacto da formação recebida na UTAD no seu percurso profissional?
Confesso que não seria hoje o que sou, se não fosse a cidade e a universidade onde me formei. Sempre fui uma pessoa de brandos costumes, de tradições e de emoções, tendo sido a universidade sido muito importante na consolidação da minha personalidade e caráter. A UTAD, Vila Real e as suas gentes, são revestidos de valores graníticos e preciosos, são gentes capazes de grandes sacrifícios na conquista de objetivos, com propósitos e valores humanos que elevam o indivíduo a outros patamares.
Como motivaria um aluno a ir estudar para a UTAD?
Não quero ser um exemplo, mas gostava que o meu percurso pudesse motivar outros a fazer este trajeto, pois acredito que esta escolha fez toda a diferença na minha vida!
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Entrevista: Rosa Rebelo   | GCI – Gabinete de Comunicação e imagem
Vídeo: José Paulo Santos | GCI – Gabinete de Comunicação e imagem