Foto: Relatório sobre Praxe apresentado na UTAD
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A 16 de março foi apresentado na UTAD o relatório do estudo “A Praxe como fenómeno social”. A sessão contou com um número elevado de estudantes, docentes e demais interessados nesta temática e com a presença da Secretária de Estado do Ensino Superior, Fernanda Rolo, do Diretor Geral do Ensino Superior, João Queirós e do Relator Elísio Estanque que apresentou as principais conclusões do estudo.

O principal objetivo do estudo consistiu em “compreender o fenómeno da praxe académica em profundidade, privilegiando-se a interpretação dos significados que diversos atores do sistema de ensino superior (estudantes, dirigentes associativos e dirigentes das instituições de ensino) atribuem ao fenómeno” Foi feita uma “caracterização mais geral da praxe no momento atual, a sua contextualização histórica, o seu enquadramento jurídico, o seu tratamento na comunicação social e um levantamento das investigações já realizadas sobre o tema”.

Das principais conclusões destaca-se que ,na opinião dos alunos, apesar dos “momentos duros” mais ao nível “psicológico” a praxe “valeu a pena”.  Nas razões apresentadas salientam o facto de “fortalecer a união”. Esta é ainda encarada com “um ensinamento da vida e para a vida” de que resulta uma “relação de fidelidade” , “paternalista” ou “sentimento de proteção”  que valoriza e legitima a “lógica do poder do mais velho” (praxador).

Do estudo resultam duas componentes muito impactantes e ligadas à praxe: a autoridade e o lado festivo, de libertação. A passagem entre estas duas componentes reforça o “lado afetivo e a aceitação da praxe” pelos estudantes.

Entre as recomendações do estudo é ressaltada a necessidade de enquadramento no Regulamento Interno das Universidades; o apelo às IES para implementarem programas de integração dos novos estudantes que incluam com sessões culturais, lúdicas e informativas para que o estudante possa “optar ou não pela praxe”.

Na sessão de perguntas e respostas, O Reitor da UTAD, António Fontainhas Fernandes, salientou a importância do papel destas recomendações que “são fáceis de implementar , estando algumas destas já implementadas na UTAD. Salientou ainda o papel do provedor do Estudante e a colaboração com a Associação Académica da UTAD. A provedora do Estudante da UTAD afirmou que em quatro anos “não teve queixas de estudantes contra a praxe” e deixou algumas das razões porque eventualmente isso pode acontecer: “Os alunos não sabem que existe um  provedor do estudante; é variável a sensibilidade das pessoas em relação à praxe; a educação cívica é algo que tem de estar presente no Ensino Superior, porque Saber dizer não, faz parte da educação cívica. A Secretária de Estado , Fernanda Rôlo, evidenciou a preocupação  das IES com esta questão e considerou “inaceitável que ocorram situações de violência” e apelou à “tolerância zero em relação a qualquer tipo de agressividade”. Elogiou ainda o trabalho que tem vindo ser desenvolvido pelo Observatório Permanente do Abandono e Promoção do Sucesso Escolar da UTAD.

Estas e outras opiniões foram partilhadas sobre este tema não consensual e que continua a dividir estudantes, docentes e profissionais do ensino. Deixamos a seguir algumas opiniões:

“A Praxe ensina a comunicar uns com os outros e ajuda as nossas barreiras a cair” (Estudante);

“Porque é que os alunos que chegam à universidade não têm a coragem de dizer não (à praxe)? Temos de começar a fazer as perguntas certas e a arranjar as respostas certas (estudante);

“A Universidade devia dar-nos a oportunidade de regulamentar a praxe e de a adaptar ao campus” (Estudante);

“Temos de saber dizer não! Se um caloiro não quiser fazer algo que eu mandei, eu não posso obriga-lo a fazer” (Estudante e Praxador)

O estudo foi promovido pela Direção Geral do Ensino Superior (DGES) sobre a caracterização e análise do fenómeno social conhecido como “praxe” no ensino superior em Portugal. O estudo foi realizado por uma equipa conjunta de investigadores do Centro de Investigação e Estudos Sociais do ISCTE-IUL (CIES), do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto (ISUP) e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES), sob coordenação de João Teixeira Lopes (ISUP) e João Sebastião (CIES), e pode ser consultado em: http://www.dges.gov.pt/sites/default/files/naipa/a_praxe_como_fenomeno_social.pdf