Foto: Grupo CESTES
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A sessão de apresentação do Projeto CESTES2, realizada na UTAD, analisou o perfil e os custos dos estudantes do Ensino Superior Português no ano letivo 2015-2016. Nesta apresentação foi dado enfoque, por comparação, aos estudantes da UTAD.

Na sessão participaram o reitor da UTAD, Fontainhas Fernandes, a Coordenadora do CESTES2, Luísa Cerdeira e João Rebelo, investigador da UTAD, que fez comentários finais aos dados apresentados.

Neste estudo ficámos a saber que o Estudante da UTAD gasta “em média 5518 euros por ano”. Luísa Cerdeira salientou que a maior parte dos gastos são para alojamento, alimentação, despesas de transporte, sendo superiores aos custos que o ensino implica, cerca 1200 euros anuais. Estes resultados são considerados naturais já que os alunos da UTAD são maioritariamente deslocados de outras regiões,  e vivem “muito menos em casa dos pais e bastante mais em quarto/casa alugada e em residência universitária”.

No que respeita à caracterização do rendimento do agregado familiar dos estudantes da UTAD, este é “expressivamente mais baixo” comparativamente ao “restante universitário público”, situando-se, na maior parte “num valor inferior a 870 euros mensais”.  Na perceção do rendimento familiar, nenhum dos estudantes da UTAD escolheu a hipótese “dá para viver muito bem”, ou “dá para viver com privações”.

Comparativamente a outros países, a coordenadora do estudo referiu que “para uma família média ou para a mediana dos rendimentos em Portugal é preciso cerca de 60 por cento do rendimento anual de um português para poder ter um filho a estudar no ensino superior” , enquanto que, em países como a Alemanha ou França, esse valor situa-se em cerca de 20 por cento. Estes dados podem explicar, por exemplo, que o  grupo de alunos com bolsa na UTAD seja mais expressivo do que no restante ensino universitário público, reforçado pelos dados relativos a empréstimos contraídos para estudar que, na UTAD,  é ligeiramente superior ao restante ensino universitário público.

No que respeita à opinião sobre o ensino superior, os estudantes concordam maioritariamente que este “é um bem público” e que o seu financiamento “deve ter custos partilhados, devendo o Estado ser o principal financiador” e ainda  que o valor da propina “deve variar conforme o custo de cada curso”.

Foi também aferido neste estudo que os estudantes da UTAD vêm, à semelhança do restante ensino universitário, do ensino público. Comparando as respostas dos estudantes do ensino público e do ensino privado apenas se destaca uma divergência significativa de opinião relativa ao financiamento do ensino particular e cooperativo, em que os “estudantes do ensino privado tendem a concordar que o Estado deve financiá-lo e os do público concordam muito menos”.

O Projeto CESTES 2 vem na sequência de um trabalho iniciado no ano letivo de 1994-1995 e visou obter dados sobre a caracterização dos estudantes e os custos associados ao ensino superior português em 2015-2016.