Foto: fotografia de grupo
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Especialistas de várias universidades debateram na UTAD, no passado dia 18 de janeiro, os fatores e os casos dos incêndios extremos recentes em Portugal, numa ótica que incidiu na necessidade de as comunidades poderem vir a ter uma participação mais ativa no combate ao flagelo, especialmente através das ações de prevenção.

Este debate decorreu no âmbito do projeto FIREXTR (Prevenir e preparar a sociedade para eventos extremos de fogo: o desafio de ver “a floresta” e não somente as “árvores”), um projeto que envolve instituições de diversos países, tais como Portugal, Austrália, Canadá, França, Itália e EUA, dado que a problemática é transversal a todas as nações.

Foram oradores Fátima Tedim, da Universidade do Porto, Michael Coughlan, da Universidade da Georgia, EUA, Luis Ribeiro, da Universidade de Coimbra, e José Aranha, Mário Pereira e Paulo Fernandes, da UTAD. De um modo geral, as intervenções procuraram respostas sobre os processos biofísicos e humanos que contribuem para a ocorrência dos incêndios extremos, com vista a desenvolver estratégias mais eficientes de prevenção e preparação do risco de incêndio e criar sociedades e ecossistemas mais resilientes.

Lembrando as recentes tragédias dos incêndios de Junho e Outubro, houve sobre o tema uma atenção reforçada. Foi salientada a necessidade de uma abordagem social-ecológica em todas as etapas da gestão dos incêndios, principalmente as de prevenção e preparação, sendo apontado que “o primeiro passo é as pessoas estarem conscientes do risco de correm, por exemplo quando têm casas no meio da vegetação”, assinalou Mário Pereira.

Mas necessário é também evitar que os incêndios, quando acontecem, não ganhem tal envergadura, impondo-se uma resposta inicial mais rápida e eficiente possível, pois “se não for dada naqueles minutos iniciais, naquela meia hora inicial, tudo o que se possa fazer depois é simplesmente para defender pessoas e estruturas”, salientou Paulo Fernandes. Este investigador da UTAD lembrou também que o espaço florestal deverá ser “menos contínuo e ter menos quantidade de combustível bem como uma composição de vegetação menos inflamável”. Paulo Fernandes, que é também membro da comissão técnica independente que analisou os fogos de junho passado e que está a analisar os de outubro, revelou na ocasião que o maior incêndio de sempre em Portugal, que se iniciou na Lousã, distrito de Coimbra, foi causado por um acidente elétrico.