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As autarquias de Allariz e Castro Caldelas, a Fundação Vicente Risco,  a UTAD, representada no Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD), tornaram  público o vencedor do XXII Prémio Vicente Risco de Ciências Sociais2017. Trata-se de Diego Amoedo Martínez, colaborador do CETRAD, que também se encontra atualmente a realizar a tese de doutoramento sob a orientação de docentes e investigadores da UTAD.

O galardão inclui publicação da obra selecionada e um prémio monetário no valor de 4 mil euros. Esta edição do Prémio Vicente Risco visa distinguir um texto inédito e totalmente original, que aborde investigações referentes à Galiza e/ou o Norte de Portugal, sempre do ponto de vista das ciências sociais (antropologia, sociologia, história, linguística, geografia, economia, turismo, entre outras).

O objetivo do prémio é honrar a memória de Vicente Risco, ajudar à consolidação da cultura  e  a  fortalecer  as  relações de Galiza com Portugal e a Lusofonia.

 

Resumo do ensaio apresentado ao Prémio Vicente Risco das Ciências Sociais 2017.

“Este ensaio é fruto da minha dissertação de mestrado intitulada: “Usos e desusos das terras de Tourém: transformações sócio-territoriais em uma aldeia rural fronteiriça entre a Galícia (Es) e Portugal”, defendida no ano 2014 na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Brasil, com auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Este ensaio é fruto do trabalho de campo realizado entre os anos 2011 e 2013 em Tourém. O foco principal é a análise das transformações sócio-territoriais da aldeia decorrentes desde finais da década de 1960 e começos de 1970, momento em que o aumento da emigração contemporânea teve seu auge. Trabalhamos, portanto, duas vertentes diferenciadas das mudanças acontecidas na aldeia: transformações sociais e territoriais da aldeia de Tourém, através do termo terra. A terra é elevada aqui a categoria analítica, pois, é um termo usado pelos moradores da aldeia de Tourém, um termo polissêmico que se refere à aldeia, baixo a nomeação de minha terra; as terras seriam também os diferentes destinos da emigração pelos que passaram os vizinhos da aldeia; e, finalmente a terra, também faz referência á terra-produtiva, sustento da agricultura e pecuária que é a atividade econômica mais importante. Através das trajetórias de vida das pessoas da aldeia e de suas histórias de família e de vida, combinamos os diálogos teóricos com as descrições etnográficas dos usos e desusos das terras de Tourém; assim como os diferentes grupos sociais e os diferentes tempos que têm as pessoas que moram na aldeia. De forma mais explicita dialogamos com conceitos como territorialidade, território e história do lugar através das narrativas dos moradores, das histórias de vida e de família”.

 

Nota Biográfica de Diego Amoedo Martínez 

Natural de Cortellas, Parroquia de Padróns, Ponteareas, uma aldeia rural do Condado, sul da província de Pontevedra (Galiza). No ano 2007  formou-se pela Universidade de Vigo em Engenharia Técnica Florestal (2007).  No ano 2008 – 2009 atuou como Jovem Cooperante no Projeto Araucária XXI no Paraguai juntamente às populações indígenas e camponesas do Estado de Guairá. Após essa experiência ingressa como estudante especial no curso de graduação em ciências sociais da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) no ano 2009. Em 2011 passa o processo seletivo do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UNICAMP. Realiza os seus estudos com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Obtém uma Bolsa de Estágio Pesquisa no Exterior  (BEPE – FAPESP) de 4 meses no ano 2013 na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) no Centro de Pesquisas Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD) sob supervisão do Prof. Dr. Xerardo Pereiro. No ano 2014 defende o mestrado de título: “Usos e desusos das terras de Tourém : transformações sócio-territoriais em uma aldeia rural fronteiriça entre a Galícia (Es) e Portugal”, sob orientação da Profa. Dra Emília Pietrafesa de Godoi (UNICAMP). Defende a dissertação de mestrado já sendo aluno do Doutorado em Antropologia Social da UNICAMP, continuando sob a supervisão da Profa. Dra. Emília Pietrafesa de Godoi. Continua trabalhando na mesma região da raia luso-galega, ampliando o horizonte de sua pesquisa para a aldeia de Pitões das Júnias, também do município de Montalegre, desta vez com um projeto cujo foco de análise é os processos de conhecimento, inovação técnica e tecnológica dos agricultores de ambas aldeias rurais. Recebe bolsa auxílio para realizar os estudos de doutorado no país por parte do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq – Brasil). Em julho de 2017 qualifica o doutorado antes de sair para uma estágio de doutorado sanduiche no exterior com auxílio do Programa de Doutorado Sanduiche no Exterior (PDSE) outorgado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), na Universidade de Santiago de Compostela (USC) sob supervisão do Catedrático de História Contemporânea e Pesquisador Principal do Grupo de  Investigación de Historia Agraria e Política (s. XIX – XX) (HISTAGRA) Prof. Dr. Lourenzo Fernández Prieto. Em dezembro de 2017 toma posse como Professor Auxiliar de Antropologia, do Programa de Antropologia e Arqueologia (PAA) da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) em Brasil. Publicou vários artigos em revistas científicas (Ankulegi, Ruris, Temáticas), entrevistas (Temáticas), resenhas e organização de dossiê. Participou de congressos nacionais e internacionais. Na UNICAMP participa do Centro de Estudos Rurais (CERES) e do Laboratório de Antropologia Territórios e Ambiente (LATA) também do CERES. Na UFOPA é membro de Grupo de Estudo em Acologia História e Política das bacias dos rios Trombetas, Tapajós e Xingu (GeEHEP). É membro da Asociación Galega de Antropoloxia (AGANTRO) e da Associação Portuguesa de Antropologia (APA).