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A UTAD prosseguiu no passado dia 13 de abril, no auditório do Polo II da Escola de Ciências e Tecnologia (ECT), a homenagem a Agustina Bessa Luís com um debate em torno do “Princípio da Incerteza”, a memorável trilogia da escritora representada pelos romances Jóia de família, A alma dos ricos e Os espaços em branco. Tratou-se da primeira “Tarde de Agustina”, que teve como convidados Carlos Fiolhais, físico e ensaísta, e José Manuel Heleno, filósofo e especialista na obra de Agustina.

Carlos Fiolhais referiu a genialidade de Agustina, a sua escrita filosófica, a força da sua imaginação, colocando o leitor numa posição de dúvida entre o que é real e irreal. Deu também nota de que a ciência e a literatura são domínios que procuram o entendimento do mundo, “a memória do que se fez comum” (Agustina, em Cadernos de Significados). Lembrou também que Agustina leva a incerteza para o campo das relações humanas, sublinhando que para autora o (seu) leitor tem de ter uma aversão à ideia fixa.

Por sua vez, José Manuel Heleno referiu a presença de equívocos nos romances de Agustina, a sua paixão pelo Barroco e a fragilidade em que assentam as suas personagens. Porque somos desconhecidos uns dos outros, tornamo-nos incertos, e, cada um, um mundo fechado. As obras de Agustina articulam estados de tensão e representam a procura de sentidos para o mundo, “a busca da unidade na diversidade”, referiu José Heleno.