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Uma iniciativa de sensibilização para a reabilitação da panificadora da autoria de Nadir Afonso na cidade de Vila Real.

O Movimento PRÓ-NADIR, fundado recentemente por um grupo de jovens arquitetos, advogados, designers e cidadãos anónimos, após o arquivamento do processo de classificação do edifício da PANREAL, em Vila Real, tem como motores mobilizadores a divulgação, a sensibilização, a salvaguarda e “eventual reabilitação” da panificadora mais emblemática da cidade de Vila Real, da autoria de Nadir Afonso.

Assim, a 9 de maio, o Grupo de Missão Cultura da UTAD, o Movimento PRÓ-NADIR, associados ao CETRAD, convocaram à Academia a Presidente da Fundação Nadir Afonso, Laura Afonso, e os vários agentes sociais e políticos, entre eles, a autarquia de Vila Real, para a Sessão Pública: “NADIR À TARDE”.

A Sessão abriu com o visionamento do documentário de 2013: “Nadir Afonso – O Tempo não existe” de Jorge Campos, comentado pela docente, Membro do Grupo Missão Cultura, Anabela Oliveira. A artista plástica, Ângela Cardoso, igualmente Membro do Grupo Missão Cultura, proferiu a preleção: “Pão Nosso. A geómetra e a fome”. A responsável pela Unidade de Arqueologia, Mila Simões de Abreu, Membro do Grupo Missão Cultura, discorreu sobre “A Panreal e a Arqueologia Industrial”.

A jovem arquiteta vila-realense, Ana Morgado, membro fundador do Movimento Pró- Nadir, na sua alocução falou sobre “O estado do processo de classificação” e o arquiteto Gil Machado, representante do mesmo Movimento, anunciou os próximos passos: ações de rua, audição aos vila-realenses, instalações com pão, entre outros.

No debate, todos os participantes estiveram de acordo, concluindo em uníssono: “É Preciso Salvar” o edifício da PANREAL.

A autarquia de Vila Real, representada pela vice-presidente e vereadora da Cultura, Eugénia Almeida afirmou que a autarquia não se opunha à classificação. Os arquitetos presentes garantiram que não é difícil reabilitar a construção, sendo possível encontrar parcerias e financiamentos para a sua manutenção.

No encerramento, Laura Afonso, presidente da Fundação Nadir Afonso, agradeceu a ação desenvolvida em prol da recuperação do edifício da PANREAL e lançou um desafio: colocar-se numa das paredes do edifício a restaurar um painel de azulejos com o quadro “Vila Real” de Nadir Afonso. Referiu ainda que a PANREAL foi estudada em cinco teses de mestrado em arquitetura, defendidas nas universidades de Coimbra, Porto e Lisboa, sendo, talvez, a obra arquitetónica mais investigada pela nova geração de arquitetos em Portugal. O vice-reitor da UTAD, Professor Artur Cristóvão, ofereceu o apoio técnico, científico e cultural da Academia nesta nobre causa.

A sessão terminou com um brinde à preservação do património material e imaterial simbolizado na PANREAL de Nadir Afonso.

O Edifício da PANREAL, em Vila Real, é o único edifício projetado por Nadir Afonso para a capital de distrito. Este imóvel é tanto mais significativo para a cidade de Vila Real, quanto na sua construção o Mestre Nadir evidenciou a influência nas palas e no telhado ondulado dos dois grandes arquitetos do século XX com os quais trabalhou: Le Corbusier e Óscar Niemeyer. A PANREAL associa-se a uma outra panificadora desenhada por Nadir para a sua terra natal, Chaves e que acolhe o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso projetado por Siza Vieira.

A vila de Boticas, criou o Centro de Artes Nadir Afonso, um Polo da Fundação Nadir Afonso, homenageando as origens maternas do artista. A cidade de Vila Real, capital de distrito, e a sua Academia não podem ficar indiferentes à celebração feita ao grande Mestre Nadir em Trás-os-Montes.