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O tema foi o primeiro de vários que pretende abordar várias temáticas, numa conversa informal entre alunos e professores, construindo-se assim as bases para discussões recorrentes e alargadas aos vários cursos da Escola de Ciências Humanas e Sociais da UTAD.

Esta primeira conversa contou com a participação e vários docentes e discentes em que se abordou a primavera árabe. Este momento importante da história recente, iniciou-se como um movimento de contestação política contra regimes ditatoriais e condições de vida, encabeçada pelos jovens, e culminou com o uso da democracia para a tomada de poder de partidos políticos assentes em ideologias religiosas – completamente avessos aos interesses defendidos pelos jovens que se revoltaram. Das guerras civis que se geraram (se é que não estavam já latentes) um fluxo dissonante de refugiados acaba no mar mediterrânico dirigido para um velho continente pressionado pelas recentes crises económico-financeiras. E digo dissonante, pois o velho continente só tem conseguido crescer, em população e em termos económicos, com a migração constante de centenas de milhar de pessoas de África, Ásia e Europa de Leste. Estes migrantes trazem à Europa mão-de-obra barata e muitas vezes com qualificações.

Mas, apesar de serem constantes as migrações e delas advir um crescimento económico e uma fonte de sustentabilidade para o sistema social europeu a sensação de insegurança e ameaça tem permitido a movimentos de extrema direita povoar parlamentos em vários países da Europa e até participar em parcerias governamentais – sendo a Áustria o caso mais conhecido.

Às universidades compete não apenas formar tecnicamente os seus discentes, mas também incutir um espírito de discussão em torno dos temas da atualidade e indiretamente um gosto pela política. Conferências, mais de ciência política do que de áreas específicas do conhecimento em estudo nas várias unidades curriculares, fazem parte do quotidiano das instituições de ensino que nos habituaram a gerar muitos dos agentes políticos que hoje assumem funções no panorama nacional, ajudando à criação de uma imagem de referência em termos de ensino.

O alheamento político de uma percentagem considerável dos jovens é, há muito, considerado um dos espinhos das sociedades modernas e dá ciclicamente azo ao aparecimento de extremismos políticos e religiosos.