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João Cabral do CITAB, Mário Gonzalez Pereira e Paula Martins-Lopes do BioIsi, investigadores e docentes da UTAD participaram no Encontro Nacional sobre Investigação em Alterações Climáticas, realizado nos dias 17 e 18 de fevereiro de 2020, em Lisboa.

Organizado no âmbito da Lisboa Capital Verde Europeia 2020 e coorganizado por Ciências ULisboa e pela Câmara Municipal de Lisboa, este evento integrou mesas redondas com tópicos  como a modelação climática e os impactos sectoriais (ecossistemas, economia, decisão política global e local).

A apresentação de João Cabral teve como tema as  ”Alterações Climáticas, Energia Renovável e Biodiversidade: Um Compromisso Improvável?”.  Esta abordagem centrou-se no desafio que se coloca quando, para fazer face e/ou mitigar os efeitos das alterações climáticas, o imperativo da exploração de energias renováveis implica a sobrecarga de infraestruturas (e.g., parques eólicos, empreendimentos hidroeléctricos, linhas eléctricas, etc) com um impacte muito significativo na biodiversidade. A tónica foi colocada na necessidade de os estudos contemplarem o verdadeiro balanço das emissões de carbono no apoio à tomada de decisão, que deve incluir as emissões relativas à construção das referidas infraestruturas bem como as perdas na capacidade de fixação de carbono de longo-termo inerentes à disrupção dos processos dos ecossistemas por perdas na respetiva biodiversidade.

Mário Gonzalez Pereira, apresentou a “Investigação em alterações climáticas: alguns resultados”, onde foi salientado o estudo das alterações no regime de precipitação e das suas consequências, nomeadamente: (i) nos eventos de precipitação intensa e consequências nos projetos de dimensionamento de órgãos de escoamento e armazenamento de água pluvial; e, (ii) na distribuição inter- e intra-anual da precipitação e consequências nos ecossistemas naturais e alguns habitats, como o da Margaritífera margaritífera. Foi também evidenciado o estudo da influência da variabilidade e alteração climática nos sistemas agroflorestais, nomeadamente no desenvolvimento de modelos de produtividade e de medidas de adaptação às alterações climáticas (e.g., da castanha e vinha). Os resultados do estudo de aspetos do regime de fogo (no Mundo, na Europa, na Península Ibérica e em Portugal), modelação da incidência do fogo (número de incêndios e área ardida) e projeção para cenários de clima futuro foram também apresentados. Finalmente, foi destacado o estudo do regime (e potenciais alterações) de eventos meteorológicos (ondas de calor) e climáticos (secas) extremos, nomeadamente a sua caracterização (incluindo o numero, duração e intensidade) nas condições de clima atual e projeções para cenários de clima futuro, bem como o seu impacto na distribuição espaço temporal da ocorrência de incêndios extremos (Área ardida >5000 ha).

Paula Martins-Lopes falou sobre a “Biodiversidade como uma ferramenta para fazer face às alterações climáticas: a situação da videira e da oliveira”. Nesta apresentação chamou a atenção para o impacto que as alterações climáticas estão a ter e terão a nível do sector agrícola, considerando apenas a temperatura e a distribuição da precipitação ao longo do ano. A procura de variedades de Videira e Oliveira que podem fazer face a estas situações é uma alternativa passível de ser alcançada. Assim, alertou-se para o facto de se ter que apostar na preservação da biodiversidade destas duas espécies, para que possamos encontrar, hoje e no futuro, variedades adaptadas às diferentes condições climáticas. Para tal, foi alertada para a necessidade de investir em programas de caracterização dos recursos genéticos, para que estes possam ser mais eficientemente utilizados.

No canal Youtube estão disponíveis as apresentações dos dois dias do encontro:

Intervenção de Mário Pereira: Dia 17 ver aqui
Intervenções de João Cabral e Paula Oliveira Martins-Lopes: Dia 18 ver aqui

Fotos: DR