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As instituições de ensino superior (IES) estão hoje, num quadro de globalização da ciência, da tecnologia e da cultura, confrontadas com o desafio da internacionalização. É assumido que esta corresponde a um processo complexo e contínuo, que comporta iniciativas em todas as áreas inscritas na missão das IES, do ensino à valorização do conhecimento, e a construção de uma nova cultura e de um novo ambiente no campus.

Foi com este mote que se realizou a 27 de novembro, o Fórum online “Internacionalização das Universidades: Desafios e Oportunidades”, no âmbito da Semana da Ciência e Tecnologia da UTAD, que reuniu um painel moderado pelo Vice-Reitor da UTAD, Artur Cristóvão e por cinco convidados Carla Martins, Pró-Reitora da Universidade do Minho e membro do Comité Executivo do Grupo Compostela de Universidades,  Joan Martin-Montaner, Vice-Reitor da Universidade Jaume I e Coordenador do Consórcio CURE, José Luís Luque Alejo, Coordenador de Relações Internacionais e Interinstitucionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Marcello Scalisi, Diretor da UNIMED União de Universidades do Mediterrâneo e Valerià Paul, Diretor da Fundação CEER e Professor da Universidade de Santiago de Compostela.

As intervenções iniciais abordaram o impacto da pandemia, por todos considerado negativo nas dinâmicas de internacionalização, muito embora tenha feito as universidades olharem para possibilidades que, embora já existentes, eram menos valorizadas, muito em especial o uso das tecnologias de comunicação e ensino à distância. De uma forma geral, os oradores sublinharam o decréscimo nas mobilidades, a par de iniciativas que procuram a sua virtualização, embora com menor grau de interesse e sucesso.

O Diretor da Fundação CEER, Valerià Paul, destacou em especial o caso das mobilidades IACOBUS, em que se registaram alguns atrasos, estando a ser equacionado um calendário diferente para o próximo ciclo. Falou também do grande projeto “Universidades Sem Fronteiras”, que envolve as nove IES públicas do norte de Portugal e da Galiza, tendo em vista criar uma oferta educativa conjunta a nível de mestrado e doutoramento. Falou igualmente da importância de explorar a possibilidade de projetos com universidades da américa latina países africanos, nomeadamente com fundos Erasmus, e da possibilidade da Fundação CEER constituir um exemplo para outras situações de cooperação transfronteiriça.

Marcello Scalisi, Diretor da UNIMED, referiu em particular o papel desta rede de IES, criada há 50 anos e envolvendo cerca de 130 instituições de 23 países de toda a bacia mediterrânica, destacando que, no contexto da pandemia, as preocupações se viraram para questões como garantir as atividades regulares de ensino, dar soluções para os problemas dos estudantes e promover a sua participação. Por outro, sublinhou que a internacionalização continuará a ser marcante e que as IES têm de se preparar para os efeitos de longo prazo da pandemia, sendo vital o empenho dos governos e da União Europeia. “No que toca aos países do sul do Mediterrâneo, não deixo de afirmar que se batem com desafios diferentes, como a falta de autonomia e de liberdade académica, sendo claro que as universidades de países árabes têm grande interesse na cooperação com universidades europeias”, afirmou.

Por parte do Grupo Compostela de Universidades, Carla Martins mencionou que envolve este atualmente mais de 60 universidades de todo o mundo, cobrindo áreas tão diversas como as mobilidades, as iniciativas de promoção da investigação, os concursos de vídeo, prémios e conferências virtuais, como o objetivo global de promover a partilhas de experiências e ajuda mútua entre parceiros, com grande espírito de inclusão e abertura.

Joan Martin-Montaner apresentou o consórcio CURE, pequena rede de universidades europeias comprometidas com o desenvolvimento regional, através da investigação, ensino e formação contínua, dando exemplos de algumas das iniciativas já realizadas ou em processo, incluindo uma candidatura a uma “call” especial do Programa Erasmus relativa à digitalização do ensino.

Do Brasil, através de José Luís Luque Alejo, ficou o desafio para se promover maior reciprocidades nos intercâmbios de estudantes, estando a UFRRJ a preparar medidas de estímulo à vinda de estudantes estrangeiros, nomeadamente a atribuição de subsídios em dinheiro e reforço da disponibilidade de alojamento. Por outro lado, destacou a importância da “internacionalização em casa”, com mais aulas em inglês e espanhol e mobilidades virtuais.

De uma forma geral, todos os intervenientes no painel se mostram convictos de que os processos de internacionalização vão continuar, apesar do quadro de incerteza, certamente com maior uso de meios digitais, mais mobilidades virtuais e valorização de diferentes formas de internacionalização em casa, embora os intercâmbios no formato tradicional, com deslocações físicas, sejam muito desejados e valorizados. Como foi bem destacado, existe um espaço enorme para a cooperação entre IES, estando a responsabilidade da sua promoção efetiva nas mãos das instituições, nomeadamente valorizando a participação em redes e a dinamização de atividades no âmbito de protocolos bilaterais. ​