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Subordinado ao tema “Sociocultura de Cabo Verde”, o antropólogo e historiador cabo-verdiano João Lopes Filho proferiu na Aula Magna da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), no dia 22 de Setembro, uma conferência-debate com os seus pontos de vista sobre a formação da sociedade e da cultura do seu país sob diversos paradigmas do arquipélago. Coube a organização ao Grupo de Ciências da Cultura do Departamento de Letras, Artes e Comunicação e à Pró-Reitoria para a Cultura, Comunicação e Imagem. A animar e a moderar o debate esteve o professor da Universidade da Beira Interior José Carlos Venâncio, também ele reconhecido especialista em estudos africanos.

O conferencista começou por assinalar a posição geográfica do arquipélago na rota das grandes linhas de navegação europeias, servindo, durante muito tempo, como entreposto de escravos levados de África e daí enviados para o continente americano, razão por que o território se tornou uma espécie de “laboratório” de língua e de aculturação, que condicionaram toda a sua organização social e cultural. 

Por exemplo – lembrou João Lopes Filho –, a língua nasceu da situação experimentada por indivíduos provenientes de diferentes “nações de gentes”, postos em contacto uns com os outros, longe dos respectivos continentes de origem. Deste modo, o fenómeno da mestiçagem oumiscigenação, que resultou na fusão de civilizações, em especial portuguesa e africana, permitiu construir um Estado-Nação com uma identidade que hoje se afirma culturalmente em todas as latitudes, seja no domínio da cultura imaterial (língua, sincretismo religioso, música e dança e tradição oral), seja no domínio da cultura material (habitação, vestuário e adornos, escultura, pintura e tecnologias tradicionais).