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A Câmara Municipal de Sabrosa, com a parceria do Centro de Estudos de Letras (CEL) da UTAD e da editora discográfica TradiSom, realizou, na noite de 18 de maio, no auditório municipal, uma homenagem pública a Manassés Lacerda, no dia em que passavam 60 anos sobre a sua morte. Famoso cantor e compositor de fados de Coimbra, era natural desta vila, sendo considerado um dos pioneiros da canção coimbrã enquanto criador de um estilo de fado que ficou famoso na primeira metade do séc. XX, conhecido como “Fado Manassés”.

A homenagem iniciou com uma da exposição das partituras musicais do compositor e uma rara coleção de discos dos primórdios das gravações do cantor em Portugal, reproduzidos nas “Machinas Fallantes” ou gramofones. Na sessão, usaram da palavra Alexandre Parafita, em representação do CEL, José Moças, diretor da TradiSom, e Helena Lapa, Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa. A fechar o evento, os sabrosenses e convidados foram presenteados com uma sessão de fados de Coimbra, onde se destacaram várias interpretações do “Fado Manassés”.

Manassés Lacerda nasceu em 1885 e tornou-se conhecido pela sua voz de tenor extensa e bem timbrada, com a qual empolgava as audiências por onde passava, em especial nas célebres serenatas de Coimbra, mas também acompanhando, como solista, as digressões das tunas Académicas da Universidade de Coimbra e da Universidade do Porto. Tornou-se assim um ícone da canção de Coimbra, famoso pelo estilo performativo que criou, onde sobressaíam os “ais” prolongados, um estilo seguido depois por muitos intérpretes do fado coimbrão. Nas primeiras décadas do séc. XX, gravou dezenas de discos e publicou as partituras dos seus fados, tendo sido o primeiro cantor de Coimbra a alcançar promoção comercial internacional através de partituras impressas.