[Imprimir]

É, atualmente, um dos maiores jardins botânicos da Europa, onde podem ser observadas espécies vegetais de todos os cantos do mundo, umas vindas de toda a Europa, outras de África, Ásia ocidental e oriental (desde a Sibéria até Indonésia), Austrália e Nova Zelândia, América do Norte, do Centro e Sul. O Jardim Botânico da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) é, por isso, uma das maiores referências nacionais, como oásis de biodiversidade.

Nele se situa o campus da UTAD, instituição que, por isso mesmo, ganhou já o estatuto de “Universidade Verde”. E ganhou-o num tempo em que dispor no seu parque universitário de um pulmão verde, enquanto laboratório de soluções inovadoras e sustentáveis para a preservação do ambiente, é um dos grandes anseios de qualquer universidade.

No Jardim Botânico da UTAD conta-se também a história da Universidade, que nasceu, com esse estatuto, no ano de 1986. Dois anos depois era inaugurado, oficialmente, o Jardim Botânico com a plantação da primeira árvore, uma “Metasequoia glyptostroboides” (ou simplesmente “Metasequóia”), espécie rara de grande simbologia por ser considerada uma das mais antigas do mundo, conhecidos que são fósseis da espécie que datam de há, pelo menos, 150 milhões de anos.

Anos depois foi inaugurado o Centro de Acolhimento e Interpretação do Jardim Botânico. A inauguração foi marcada, simbolicamente, com uma largada de borboletas a que assistiram dezenas de crianças. Este Centro integra um valioso herbário e um banco de germoplasma que concentram inúmeras espécies, especialmente da flora ibérica, muitas delas em risco de extinção. Nesta sequência, foi lançado o projeto Escolas-Jardim, passando a ter grande incremento, no Jardim Botânico, as atividades de divulgação e educação ambiental.

Quem visita o Jardim Botânico encontra um mostruário vivo, com múltiplas espécies, dirigido para o ensino e investigação em áreas multidiscilinares. António Crespi, Conservador do Herbário da UTAD, esclarece que se criaram 14 jardins temáticos que “contemplam Plantas Arcaicas e Plantas Aromáticas, Medicinais e Condimentares, no Núcleo Histórico; Resinosas Ornamentais, no jardim da Reitoria; Agro-ecossistemas, na zona da entrada; Mediterrânicas Calcícolas, Mediterrânicas Silicícolas, Fagáceas, Mortórios do Douro e Fruteiras Silvestres, nos taludes que confinam com alguns dos parques de estacionamento; Mirtáceas, Ericáceas e Cistáceas, em canteiros que se estendem ao longo de vários edifícios; Horto Florestal, no interior da mata pré-existente no espaço do campus.”

 

A “filha de Auschwitz”

E porque a nobreza de uma comunidade está também presente nos símbolos que vai construindo e lhe conferem uma identidade diferenciadora, merece ser aqui assinalada, pela sua simbologia ética e estética, uma árvore a que foi dado o nome de “filha de Auschwitz”, situada à entrada do Jardim Botânico. António Crespi lembra que “foi oferecida por um antigo aluno da UTAD, de origens hebreias, que recolheu as bolotas de uma árvore emblemática situada no campo de extermínio nazi, ao lado daquele tristemente mítico portão de ferro que aparece em todas as fotografias de Auschwitz”. Após germinar, “foi colocada à entrada do campus universitário do lado direito, exatamente na mesma localização do que a sua mãe”.

Especial atenção, a marcar a história deste Eco-campus, merece também um exemplar de Cedro-da-Califórnia (“Calocedrus decurrens”). “Numa noite de trovoada – diz António Crespi, – este gigante americano foi decapitado por um raio que cortou parte da sua copa, contudo, fazendo uso da resistência tão característica das coníferas, esta planta conseguiu sobreviver e reconstruir a copa, sendo hoje vista como uma espécie de rainha do Jardim”.

Concluindo, ainda sobre o lado simbólico do Jardim Botânico, merecem referência os emblemáticos “apadrinhamentos”. O grupo “GNR” foi ao campus apadrinhar uma alfarrobeira (ceratonia síliqua), depois foi a vez dos “Xutos e Pontapés” apadrinharem uma cerejeira dos Açores (Prunus lusitanica subsp. Azorica). E também Rosa Mota foi chamada a apadrinhar a sua Oliveira-brava ou zambujo (Olea europaea subsp. sylvestris), ficando, tal como as demais personalidades, intimamente ligada à história deste eco-campus.

 

O futuro Jardim Botânico

Profundas remodelações foram implementadas ao longo dos últimos três anos neste espaço paisagístico. “Com essas significativas alterações na acessibilidade e no trânsito rodoviário – refere António Crespi, – perspetiva-se um futuro cheio de novas ilusões e vontades, que farão dos Jardins da UTAD um espaço dinâmico e interactivo”. Eexplorar, conhecer e divulgar os recursos florísticos do país, e, ao mesmo tempo, mostrar as maravilhas vegetais vindas doutros recantos do planeta, serão sempre os objetivos prioritários e a essência do Jardim Botânico da UTAD.