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Com vista à capacitação e qualificação dos jovens timorenses, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e o Fundo de Desenvolvimento de Capital Humano da República Democrática de Timor-Leste (FDCH) acabam de firmar um acordo de cooperação.

Tudo faremos para tornar a UTAD um destino atrativo e digno para estudantes de Timor-Leste. Pelo sentimento de ligação histórica que temos com o país, espero que os estudantes timorenses sintam que esta é a sua casa no futuro”, afirmou o reitor da UTAD, Emídio Gomes.

O diretor do FDCH, Cristóvão dos Reis, assumiu a necessidade de ter mais recursos humanos para desenvolver Timor-Leste e o facto da UTAD ser “uma universidade de alta qualidade”. “No futuro, esperamos que os timorenses que estudam em Portugal quando terminarem os seus cursos voltem para desenvolver o seu país de origem”, sublinhou.

Foi o caso de Fernandinho Noronha, que se licenciou em Engenharia do Ambiente na UTAD. Em 2012, ganhou a bolsa de estudo financiada pelo Ministério da Educação do seu país e Vila Real tornou-se “a cidade onde fica a sua segunda casa”.

“Desde o início, senti a necessidade de priorizar os meus estudos de acordo com as oportunidades de trabalho em Timor. Focava-me, então, nas cadeiras como Estudos de Impacto Ambiental, Gestão de Resíduos Sólidos, Tratamento de Águas Residuais, Ecologia de Águas Interiores e Hidrologia. A estratégia resultou e tirei notas satisfatórias”, conta. Por isso, quando regressou a Timor, em 2016, conseguiu um emprego no Ministério de Agricultura e Pescas “em muito pouco tempo”, como técnico e formador, responsável pela qualidade do ambiente aquático para a criação de peixes, nomeadamente de água doce.

Atualmente, este Alumnus da UTAD presta serviços de consultoria no âmbito de um Programa de Identificação, Preparação e Implementação de Projetos (PPIP) para Timor-Leste, que é financiado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI).

“Nos últimos cinco anos, tenho trabalhado com peritos nacionais e internacionais de vários países e de várias agências também como a ADB e o BEI. O meu percurso profissional tem provado que, para mim, arranjar um emprego em Timor não é difícil. Tenho a confiança de dizer isso porque conheço as minhas qualidades adquiridas na UTAD”, considera o agora Perito Nacional para o Setor de Gestão de Resíduos Sólidos.

Neste ano letivo, são 15 os alunos oriundos de Timor-Leste que se matricularam na academia transmontana, sendo que a maioria escolheu as licenciaturas de Engenharia Biomédica, Línguas e Relações Empresariais e, também, Ciências da Educação.

 

Texto: Patrícia Posse